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Edição 94

Histórias de uma profissão – O termo é antigo e a profissão também. Como, então, Vasconcellos, eu nunca ouvi falar? É que apenas os hotéis de luxo têm um. O personagem desta edição da coluna é Paulo Roberto Correa, Concierge, do Hotel Sofitel do Rio de Janeiro. Quarenta anos de idade e 20 de profissão, Paulo acumulou histórias para contar: de reis e rainhas, a celebridades, milionários, novos-ricos, conhece os hóspedes como ninguém e sabe, antes de tudo, atender a seus desejos, desde os mais simples até os mais exóticos, digamos.
Fotos: Flávia Vasconcellos
Dentadura – Onde posso conseguir cola para a minha dentadura? Não pense você que os chiques não usam dentadura. Adesivo para dentadura não é pedido difícil de atender, o concierge seria uma espécie de zelador, toma conta para que o hóspede se sinta feliz durante sua passagem pelo hotel. O concierge é encarregado também de servir de ligação entre o hóspede e a cidade. Fornece dicas de restaurantes, peças de teatro, boas compras e, para isso, tem que estar bem informado, atualizado. Recorre a guias de turismo, de restaurantes e a dicionários no dia-a-dia, para ter certeza do objeto solicitado pelo cliente. Quando o assunto é feminino, Paulo Roberto consulta as funcionárias do hotel. As hóspedes o abordam querendo saber onde se faz, no Rio, a depilação à brasileira, bem cavada, e unhas modelo francesinha.

Gula – E se bater a vontade de comer um palmito assado? O concierge telefona para um restaurante de sua lista para checar se, de fato, serve o prato solicitado pelo hóspede. Depois de se certificar, envia o hóspede ao local para satisfazer a gula. A história do palmito aconteceu recentemente, conta Paulo Roberto, assim como a de um milionário, hospedado na suíte presidencial, que não pestanejou: pediu que levassem uma porção de frango a passarinho em seus aposentos.

Encontros secretos – Quando os hóspedes sentem solidão, digamos assim, o concierge não pode fazer muito. Paulo Roberto deixa claro que não costuma atender a desejos secretos, ou seja, nada de saliência, não faz intermediação entre hóspedes e profissionais do sexo. Um pedido inusitado, todavia, foi atendido. Certa feita, uma senhora pediu que alguém a ajudasse a tomar banho. – Tudo é tratado de forma natural - explica o concierge, portanto, neste caso, uma enfermeira foi chamada para auxiliar a hóspede.
Revelações bombásticas – Apesar de sua intimidade com o mundo dos VIPs, Paulo Roberto mantém a discrição. Os hóspedes que sempre vêm ao Rio para passar férias chegam a chorar diante dos concierges na hora da despedida. Apesar de tanto carinho e proximidade dos clientes, o concierge preferiu não revelar à coluna detalhes picantes da vida íntima dos hóspedes. Contou apenas que o cantor Renato Russo criou quizumba uma vez em um hotel carioca. Disse também que não devemos ter medo dos concierges, pois quem, de fato, sabe das coisas, dos babados fortes, é o mordomo. Este sim, entra nos quartos das celebridades, faz e desfaz malas, enfim, um perigo, se você tem um segredo a manter.
Teste – Paulo Roberto é membro do Les Clés D´or, uma associação internacional de concierges. Para entrar, é preciso ter, no mínimo, dois anos de profissão e preencher alguns requisitos. Les Clés D´Or significa, em Português, “chaves de ouro”. Testei se Paulo abriria as portas do conhecimento hoteleiro para atender a um desejo desta repórter. Quis saber onde poderia comer um pato no tucupi em terras cariocas. Sem precisar recorrer a seu guia de restaurantes, o concierge tinha o endereço na ponta da língua, onde encontrar a iguaria paraense. Paulo passou no teste das chaves de ouro.
Primavera com chave de ouro – Da próxima vez que você se hospedar em um hotel, com certeza vai procurar o concierge, antes disso, vamos fazer um passeio pelas coleções primavera-verão 2006, para você chegar ao hotel na última moda. A grife Le Lis Blanc buscou inspiração na Índia, as cores escolhidas para a coleção foram o marrom, azul, verde e o açaí. Nos sapatos, é forte a presença do ouro velho.
Fotos: Divulgação
Pintura – Isabela Capeto se inspirou no pintor francês Henri Matisse. A estilista faz uma colagem nas peças, brincando com os tecidos e mesclando a realidade e o abstrato.
Fotos: Divulgação
Foto: Divulgação
Verão tropical – A inspiração da Tessuti vem dos artistas que retrataram o Brasil ainda no século XVII. A coleção mistura tendências tropicais com influência dos estilos étnico e safári.
Na próxima edição, a maquiagem Natura para o verão 2006. E ainda...o budismo passa a ser ensinado nas universidades. E mais...quem disse que um monge passa o dia rezando? Cada vez mais especializados, os monges agora fazem até MBA. Terça-feira é o dia de nosso encontro marcado. Tchau e até lá!
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Colaboração:
Maria Contreras e Paula Leite (de Brasília)
Virgil Christine (da França)

 

 

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Sobre Flávia

flávia-new siteFlávia Vasconcellos já viu reis e rainhas, é jornalista, editora-chefe e colunista do site Falando de Moda.
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