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Edição 93

Oulala, bonjour, merci – Esta edição começa com sotaque francês. Como 2005 é o ano do Brasil na França, vamos homenageá-los, então. Apesar da fama de pouco simpáticos, digamos assim, os franceses dão um banho, quando o assunto é moda e música. Nos dois campos, são conhecidos no mundo inteiro. Quem passou pelo Brasil e talvez você não tenha notado foi um dos principais cantores da atual cena cultural francesa. MC Solaar veio ao Brasil pela primeira vez e falou com exclusividade para a coluna sobre moda, mulheres, bad boys e suas impressões sobre o país, que acabara de conhecer.
Fotos: Bambi Cruz
Afinal, quem é ele? – Foi a pergunta que o garçom do Hotel Sheraton me fez ao vê-lo passar. E não foi só o garçom que ignorava a presença de Solaar. Abalando Bangu na Europa, Solaar ainda é pouco conhecido no Brasil. Nascido no Senegal há 36 anos, mudou-se para a França com seis meses de idade. No país da literatura, percebeu que gostava de escrever, tornou-se amante de dicionários, consulta-os na hora de compor suas rimas. No rap de MC Solaar, o protesto se torna poesia. Pergunto o que significa a concubina da hemoglobina, trecho de uma de suas músicas. O rapper responde que a concubina não é uma pessoa, ao contrário, representa a guerra, a fome, as doenças.
Saudade dos tempos de escola – Em uma de suas músicas chamada “Les temps changent” (Os tempos mudam), Solaar recorda o tempo de escola, uma época, segundo a canção, em que não havia doenças como a da vaca louca, por exemplo. Considera a nostalgia algo positivo Naquela época, não tínhamos responsabilidades - diz o rapper.
Fotos: Flávia Vasconcellos
Caroline – Quem conhece a obra de MC Solaar, com certeza já se perguntou quem é Caroline, personagem central de uma de suas músicas mais famosas. O cantor revela que não se trata de uma ex-namorada, conta que fez uma mistura de histórias que teria ouvido no decorrer da vida. Juntou na letra o metrô, a desilusão amorosa, as drogas, um homem velho que leva embora seu amor, e a inocência de um sorvete compartilhado a dois.
A música brasileira – Pela sonoridade de suas canções e genialidade de suas letras, pensei que o rapper conhecesse a música brasileira. Citou apenas Gilberto Gil e Bebel Gilberto, quando perguntei se já havia escutado nossa música.
Impressões sobre o Brasil – No momento de nossa entrevista, Solaar havia chegado ao Rio há apenas algumas horas. Apontou para as praias de Ipanema e Copacabana, vista geral do hotel onde estava hospedado e citou também o Cristo Redentor, essas foram as imagens que tinha do Brasil. Também usou a palavra alegria, em Português, e disse ter achado excepcional ver as pessoas trabalhando com um sorriso nos lábios.
Triste coincidência – MC Solaar veio ao Brasil para participar dos shows do Motomix 2005, coletivo de música, arte e tecnologia promovido pela Motorola. Pergunto se é amante da tecnologia, e se seu celular é daqueles modernos, que tiram fotos e só faltam falar. O rapper conta que perdeu o celular no aeroporto, no momento em que dava um autógrafo.
As mulheres e os bad boysSolaar fala em suas músicas de um relacionamento entre uma bela e um bad boy. Pergunto a ele por que as belas têm atração por bad boys. Primeiramente, devolve a pergunta. - Você é mulher e escreve sobre moda e comportamento, portanto, deveria saber. Insisto e o cantor explica a atração afirmando que o bad boy é tudo de bom para uma bela mulher, dando mais sabor a sua vida. Segundo ele, os homens bonzinhos não têm vez no coração das belas.
Vítimas da moda – Como a coluna aborda moda, cultura e comportamento, tínhamos que falar de moda durante a entrevista. Aproveitando uma de suas músicas “Victime de la mode” (Vítima da moda), pergunto o que seria uma vítima da moda. O cantor as descreve como pessoas que se cobrem de grifes da cabeça aos pés e afirma que, neste momento, as marcas italianas estão muito valorizadas na Europa. Coincidência ou não, Solaar faz uma troca de roupa, durante uma sessão de fotos na piscina do hotel. Veste uma camiseta da campanha nacional pelo desarmamento. Durante a troca de roupa, observei que sua roupa de baixo era da marca italiana Dolce e Gabbana, não perdi a chance de chamá-lo de “vítima da moda”.
Foto: Flávia Vasconcellos
Na próxima edição, você vai saber mais sobre uma profissão muito chique, você vai conhecer um concierge. E mais... um passeio pelas coleções primavera-verão 2006. Terça-feira é o dia de nosso encontro marcado. Tchau e até lá!
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Colaboração:
Maria Contreras e Paula Leite (de Brasília)
Virgil Christine (da França)

 

 

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Sobre Flávia

flávia-new siteFlávia Vasconcellos já viu reis e rainhas, é jornalista, editora-chefe e colunista do site Falando de Moda.
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